Você É Sênior e Escuta Coisa de Júnior: Como Agir

Já foi corrigido ou questionado como se fosse iniciante mesmo sendo sênior em vendas? Veja como lidar com isso sem ego ferido e sem perder autoridade.

CONTORNO DE OBJEÇÕESLIDERANÇA E GESTÃO

Fabio Oliveira

8/12/20263 min read

Professional senior businesswoman in a navy suit standing before a rising growth chart with a golden arrow.
Professional senior businesswoman in a navy suit standing before a rising growth chart with a golden arrow.

Você É Sênior e Escuta Coisa de Júnior: Como Agir

Vou te contar uma situação que aconteceu comigo, porque acho que boa parte de quem já tem tempo de casa em vendas já passou por algo parecido. Eu tinha anos de experiência, resultado consistente, respeito construído com o time. E num treinamento, um gestor novo — bem mais novo de casa que eu — corrigiu minha abordagem na frente de todo mundo, como se eu estivesse cometendo erro de quem está começando.

Minha primeira reação, sendo sincero, foi de ego ferido. Pensei: "sério que esse cara vai me ensinar isso?". E foi exatamente esse pensamento que quase me fez estragar a própria reputação que eu tinha levado anos pra construir.

O desafio: separar o ego da situação

Quando você já é sênior e ouve algo que parece "básico demais" pra sua experiência, o instinto natural é reagir — discordar na hora, minimizar quem falou, ou fechar a cara. Isso é ego reagindo, não estratégia agindo. E ego, na maioria das vezes, é péssimo conselheiro.

O primeiro passo antes de qualquer reação é perguntar internamente: essa correção, mesmo vinda de alguém com menos tempo, tem algum ponto válido? Às vezes a resposta é não, e tudo bem. Mas frequentemente a resposta é sim — só que a forma como veio, ou de quem veio, mexeu mais com o ego do que com a razão.

O erro que eu quase cometi

Naquele treinamento, cheguei a abrir a boca pra rebater na hora, na defensiva. Segurei, mas por pouco. Se eu tivesse reagido daquele jeito, na frente da equipe, teria passado uma imagem exatamente oposta à de quem é sênior de verdade — teria parecido inseguro, não experiente.

Esse é o ponto que eu aprendi com o tempo: sênior de verdade não é quem nunca é corrigido, é quem sabe lidar com a correção sem que isso abale a própria autoridade. Autoridade genuína não depende de nunca ser questionada — depende de como você responde quando é.

A tratativa: como eu passei a lidar com isso

Depois daquele episódio, conversei em particular com o gestor, sem plateia, sem defensiva. Perguntei o que ele tinha observado exatamente, sem interromper. E, pra minha surpresa, parte do que ele falou fazia sentido — eu tinha automatizado uma abordagem antiga que já não rendia o mesmo resultado, e não tinha percebido isso porque estava confiante demais no que já funcionava antes.

A partir dali, mudei duas coisas na minha postura:

Separar o mensageiro da mensagem. A validade de uma observação não depende de quem tempo de casa tem quem falou. Boa ideia pode vir de qualquer lugar, inclusive de quem está começando agora.

Responder com pergunta, não com defesa. Em vez de rebater na hora, passei a perguntar: "me ajuda a entender melhor o que você observou?". Isso tira a conversa do campo emocional e coloca no campo prático — e, na maioria das vezes, revela se a crítica tem fundamento ou não.

Por que isso é mais comum do que parece

Empresa moderna mistura gente de diferentes gerações e tempos de casa no mesmo time o tempo todo. É natural que, em algum momento, alguém mais novo de casa — às vezes até mais novo de idade — traga uma observação sobre algo que você faz há anos. Isso não é desrespeito automático. Às vezes é só um olhar novo enxergando algo que o hábito te impediu de ver.

Sênior que trata toda correção como ataque perde a chance de continuar evoluindo. E, ironicamente, é isso que faz alguém deixar de ser sênior de verdade e virar só "veterano acomodado".

Quando a crítica realmente não procede

Nem toda correção é válida, e isso também precisa ser dito. Às vezes a observação vem de quem realmente não tem repertório suficiente pra avaliar aquela situação. Nesse caso, o caminho não é discutir na hora nem ficar remoendo — é agradecer a observação, seguir com o que você sabe que funciona, e deixar o próprio resultado responder por você.

A diferença entre aceitar toda crítica sem filtro e rejeitar toda crítica por orgulho está exatamente nesse discernimento: avaliar o conteúdo, não a origem.

Conclusão

Ser sênior não significa estar acima de qualquer correção — significa ter maturidade suficiente pra avaliar cada observação pelo mérito, não pela hierarquia ou tempo de casa de quem falou. Quem reage por ego perde oportunidade de crescer e, pior, expõe insegurança justamente na hora que deveria demonstrar solidez. Autoridade real se constrói assim: não evitando ser questionado, mas sabendo responder à altura quando isso acontece.

Se você quer ir além: existem livros sobre inteligência emocional e gestão de ego aplicados ao ambiente profissional que ajudam a desenvolver justamente essa maturidade na hora de receber feedback, independente de quem o dá. Vale a pena conhecer.